Esta semana conversei com um amigo, jornalista americano radicado no Brasil e colaborador do Wall Street Journal. Este periódico, assustado com a queda das vendas dos jornais impressos, foi um dos primeiros a abrir aos internautas seu conteúdo, evidentemente reservando-se o direito de manter áreas exclusivas para assinantes. Para meu colega de profissão, jornais e revistas estão com seus dias contados.
Quando ocorrem mudanças, geralmente as pessoas costumam pressagiar grandes crises e dificuldades futuras. É como se o novo não aprimorasse o antigo e não trouxesse vantagens, mas somente situações negativas. O fato é que a comunicação através da internet mudou a forma das pessoas se relacionarem entre elas e com as notícias. Pessoas que jamais leram um jornal impresso, agora passam pelas primeiras páginas dos jornais de todo mundo num simples clic.
Penso que ainda não podemos dizer que é o fim para a imprensa impressa. As notícias dos jornais online jamais poderiam tomar todo o espaço de uma página de jornal. E nem consigo imaginar pacientes lendo pequenos monitores acoplados nas elegantes poltronas das salas de espera. Quem sabe isso possa acontecer no futuro, quando todas os usuários da internet forem pessoas que nasceram plugados na rede. No momento, penso que devemos estar cientes de que toda a linguagem da internet é diferente daquela que o espaço de uma revista, um livro ou periódico admite.
Redatores da web precisam ir logo ao assunto, sob pena de não ser lido. Em geral, o usuário tem pressa e está lendo a notícia ou informação aproveitando uma brecha do seu tempo no trabalho ou, se estiver em casa, o fará também naquele espaço entre uma e outra consulta no Google. Quem é especialista em webwriting sabe que se não der seu recado de forma objetiva e clara, receberá um novo clic e perderá a chance de se comunicar.
Considerando o tempo que um usuário de internet permanece em cada página, o jornalista especializado tem poucos instantes para convencer o leitor de que seu texto vale a pena ser lido. Assim, apesar de meu entusiasmo pelos computadores e pela rede, não estou entre aqueles que acreditam que ler textos na web possa ameaçar a comunicação impressa. Talvez o impacto que essa mídia tenha sentido não seja diferente do impacto sentido pelas Tvs. Os usuários passam mais tempo na web que diante das Tvs e dos jornais e revistas. Contudo, a internet é mais uma opção no gênero comunicação, diferente e dinâmica, cuja experiência é completamente diversa daquela de ler um livro ou uma revista.