
Esta semana li uma notícia sobre as redes sociais que me fez pensar no ser humano. Trata-se da história da jovem secretária que foi demitida porque escreveu em sua página do Facebook que seu trabalho era chato. A empresa alegou como justa causa da demissão o fato de que ter uma funcionária que não vestia a camisa não lhes interessava, pois esse tipo de atitude diminuía sua credibilidade no mercado.
Facebook é a rede social mais difusa no mundo. Fundada em 2004, possui 175 milhões de usuários que a utilizam para trocar mensagens, publicar fotos e comentários. O caso da secretária inglesa não foi o primeiro. Em janeiro alguns empregados da loja Marks&Spencer publicaram uma mensagem onde diziam que os clientes da loja eram idiotas; meses antes, a famosa companhia British Airways dispensou funcionários que declararam que alguns passageiros eram mal cheirosos e desagradáveis. Outra companhia aérea, a Virgin Atlantic, fez o mesmo quando comissários de bordo descreveram os clientes como perfeitos cafonas.
Como já dissemos, as redes sociais podem ser uma bênção ou uma pena. Não é porque todo o processo é traiçoeiro. É que a rede repete o próprio homem em seus comportamentos. Embora estejamos falando de uma ferramenta que conta com mais de uma centena de milhão de pessoas, os processos acontecem como se estivéssemos um uma praça de uma pequena cidade. Uma fofoquinha sem grandes pretensões, na web, torna-se uma bomba.
Não se trata de censura da liberdade de expressão. Todo mundo faz fofoca e adora ouvir uma. Mas é preciso saber que esse tipo de atitude pode causar consequências terríveis.
Mais uma vez, é a rede que nos faz olhar para o espelho. Somos seres sociais e embora possa ser verdade tudo o que foi dito pelos funcionários, para vivermos em sociedade precisamos respeitar alguns códigos. Por mais que algo seja verdadeiro, existem certas coisas que não devem ser feitas e ditas, sob pena de criar circunstâncias muitas vezes irreversíveis, não só no mundo do trabalho, mas também nas relações que mais apreciamos. Chamem isso de educação, bom senso, saber fazer as coisas. Mas tudo se resume em discernimento. E isso é algo que se aprende desde pequeno, habilidade que nos servirá por toda a vida. Para o nosso bem.